Este texto é resultado das discussões das aulas de pós graduação, na disciplina de Educação, Sociedade e Informação.
Agradeço a Professora Catia Sbersi pelo apoio na correção do referido texto.
Habilidades ou conteúdo? Alguém ainda tem dúvida?
“Vivemos em uma sociedade da informação que só se converte em uma verdadeira sociedade do conhecimento para alguns, aqueles que puderem ter acesso às capacidades que permitem desentranhar e ordenar essa informação (Pozo, 2003).
Quando cursei a Licenciatura em História, tínhamos no curso dois grupos bastante representativos: os conteúdistas e os teoricistas. Os primeiros representavam aqueles que defendiam o estudo da história factual e os últimos aqueles que defendem a compreensão teórica do processo histórico.
No mundo da educação, a discussão continua. Devemos educar ensinando conteúdos ou capacitando o educando para que a partir da informação ele possa ser um produtor de conhecimento?
Sempre que nos reunimos, um grupo de professores, a discussão é a mesma: a baixa remuneração, a falta de acompanhamento dos familiares, as condições de trabalho, a falta de interesse dos estudantes, a vulnerabilidade social de algumas famílias... Preocupamos-nos mais com as questões externas sobre as quais não temos governabilidade (isso não quer dizer que não devem ser discutidas e enfrentadas) e muitas vezes deixamos de pensar nas transformações no ambiente interno da escola que na maioria das vezes dependem exclusivamente dos educadores.
“Aprender a aprender” deve ser o objetivo maior do estudante, principalmente no ensino fundamental. Para isso acredito que é necessária uma escola democrática, que possibilite um planejamento coletivo, a construção de planos de estudo que privilegiem o processo ensino aprendizagem e não somente a reprodução de conhecimento.
Necessitamos de um choque de realidade que nos convença a dar mais atenção ao processo ensino aprendizagem e não nos frustrarmos tentando mudar aquilo que está além da nossa possibilidade enquanto educadores.
As ações das práticas educacionais, por parte dos educadores, devem priorizar o amadurecimento da capacidade de análise e compreensão do estudante, priorizando a construção das habilidades e competências que possibilitem o domínio da informação. Obviamente não podemos desprezar o conhecimento científico acumulado pelas civilizações que nos antecederam, mas ele deve ser trabalhado no sentido de ser mais uma ferramenta de aprendizagem e não um fim em si mesmo. Diferentemente dos filósofos gregos, para citar somente uma das civilizações mais conhecidas, ninguém na sociedade atual terá o domínio de todo o conhecimento produzido e acumulado, portanto a opção de escolher a área a que cada um vai se especializar deve ser respeitada, mas todos devem ter o domínio mínimo das habilidades e competências essenciais, independente das escolhas que façam.
Para finalizar, a escola deve ser um local de aprendizagem com interação, produzindo um cidadão que possa ter a clareza de optar por aquilo que o fará mais feliz, ainda que este não tenha sido o futuro que seus educadores tenham planejado para ele, pois pensamos a educação de forma idealizada, mas precisamos compreender que a sua prática deve ser concreta e adequada a realidade de cada um.
3 comentários:
Muito bem companheiro Antonio, não sei porque mas vi alguma coisa de Paulo Freire contemporâneo no teu texto.
Olá Antonio...
Você coloca em seu texto que “Aprender a aprender” deve ser o objetivo maior do estudante, principalmente no ensino fundamental...” Também acredito nisso, mas creio que isso teria que ser mais claro para nós, professores.
Os alunos exigem uma mudança, eles estão tentando dizer e mostrar isso de todas as formas, através da indisciplina, descomprometimento, infrequência...Nós é que estamos de olhos vendados e fechando nossos ouvidos. De maneira geral, estamos esperando o barco afundar...
O trabalho na escola exige extrema humildade, pois o professor deverá saber e deixar bem claro que também está ali com dúvidas e que vai aprender junto com os alunos. Temos que nos acostumar com as certezas provisórias e dúvidas temporárias. Isso é bem complicado, pois culturalmente, temos enraizada a idéia de que somos os detentores do conhecimento... Cursos de formação são oferecidos e vão sempre os mesmos. O que é preciso acontecer para que ocorra uma verdadeira mudança???...
Até mais!!!
Um Abraço!!
Lisiane Faganello
http://info2010lisi.blogspot.com/
Gostei muito do seminário de sábado, pois nos levou a reflexir sobre as mudanças de paradigmas dentro do ambiente escolar. As Tic's nos oferecem uma vastidão de recursos que, se bem aproveitados, nos dão suporte para o desenvolvimento de diversas atividades com os alunos. A informática tem sido utilizada tanto para ensinar sobre computação, como para ensinar sobre qualquer assunto por intermédio do computador. No entanto, o papel do professor e da escola é o de dar sentido a toda essa informação a que se tem acesso, proporcionando aos alunos capacidades de aprendizagem que lhes permitam uma assimilação crítica da informação, por isso é necessário o desenvolvimento de novas competências, tais como: análise, compreensão, interpretação, aquisição e comunicação da informação. Também se discutiu no seminário a importância do empenho das políticas públicas, no sentido de ampliar o acesso as novas tecnologias, dentro das escolas. Em suma, um dos maiores desafios educacionais enfrentados daqui para frente, será o de apropriar-se das novas formas de aprender e de relacionar-se com o conhecimento.
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