segunda-feira, 29 de março de 2010

A escolha do Reitor da UCS

     Além das questões de concepção do papel de uma universidade comunitária, está em jogo no processo de escolha do reitor da UCS, uma disputa da visão do tipo de democracia a ser adotada. Quando os estudantes contestam que nove pessoas tem mais poder que os dez mil votantes, participantes do processo da consulta, na verdade não estão contestando a eleição ou os candidatos em si, mas a forma como se organiza este processo de escolha, pois o nome "consulta", por si só, já antecipa que ela poderá ou não ser aceita por quem detém o poder de decisão.
     Portanto para que o desdobramento desta questão, tivesse de fato o resultado que a maioria da comunidade acadêmica aspirava, é necessário discutir o papel do Conselho Diretor da UCS e principalmente sua composição.
     Em primeiro lugar, a atual formatação do conselho, que tem um representante da Prefeitura de Caxias (que em 1949, criou a Escola Superior de Belas Artes), um representante da Mitra Diocesana (que em 1958, criou a Faculdade de Ciências Econômicas), um representante da Sociedade Hospitalar Nossa Senhora de Fátima (fundadora da Faculdade de Direito,) dois representantes da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, um representante do Estado do Rio Grande do Sul e dois representantes do Ministério da Educação. Portanto são quatro representantes do poder público (município, estado e união),  quatro representantes da "sociedade civil" (Fátima, Mitra e CIC) e o representante da própria UCS (reitor).
     Parece-me que esta composição não representa mais a grandeza de uma universidade com uma atuação que se estende a uma área geográfica de 69 municípios, com unidades universitárias localizadas em: Bento Gonçalves, Vacaria, Canela, Farroupilha, Guaporé, Nova Prata, Veranópolis e São Sebastião do Caí.
    Portanto esta luta está apenas começando, e seu foco principal deve ser pela mudança no Conselho Diretor, que precisa ter uma composição em que estejam representados professores, estudantes, trabalhadores (para fazer o contra ponto com a CIC).
    A pluralidade de ideias nunca fez mal a ninguém, a não ser é claro para aqueles que querem manter tudo exatamente como está.

Um comentário:

elektrofossile disse...

Correto. Gramsci fala na construção da hegemonia: todos os atores estiveram presentes no processo. Na hora de bater o martello ... peça chave estava em Brasília, viajando (em todos os sentidos).

Haja Gramsci